6 dicas para entrevistar usuários na rua – uxdesign.cc

Que aprendi com uma jornalista

User Experience é uma área extremamente interdisciplinar. Muito se pode aprender e aplicar de outras áreas, como psicologia, marketing, comunicação, etc. Com isto em mente, certa vez pedi a ajuda de uma amiga jornalista para entrevistar usuários na movimentada Avenida Paulista. Afinal, quem melhor que um jornalista para saber entrevistar pessoas?

Eis um pouco do que aprendi com ela no processo:

1. Comece abordando grupos maiores

É difícil abordar pessoas na rua. Mesmo que você sabiamente escolha abordar alguém que está parado sem fazer nada (e consequentemente teria tempo para você), o simples fato de você chegar em uma pessoa sozinha pode ser intimidador (para ambos). Então de início dê preferência para grupos de pessoas, o quanto maior melhor. Elas se sentirão mais seguras com o fato de alguém estranho estar vindo falar com elas e se sentirão mais seguras em expor suas idéias também.

Além disso, abordar um grupo de cara gera um impacto positivo nas demais pessoas na rua: aquelas pessoas sozinhas não acharão mais que você é um maníaco caso as aborde, pois já viram você entrevistando o grupo antes.

2. Aborde duplas ou casais

Um grupo grande é bom para começar, mas em geral ele pode levar ao mesmo problema que ocorre durante brainstormings: conformidade ou “consenso burro”, que é a aceitação e reafirmação de uma única idéia por todos do grupo por não quererem discordar uns dos outros. Em duplas, a opinião não só consegue ficar mais balanceada, como às vezes também você consegue entrevistar ambos individualmente.

Mas, além de duplas, melhor ainda se forem casais. Isto porque se for um casal recém-formado existe aquela chance de uma das partes (ou ambas) não negarem lhe ajudar apenas para parecer mais educado e legal aos olhos do outro. Eu sei, parece que não funciona, mas funciona! Mas é claro, nada de abordá-los caso estejam se beijando, né? Privacy, please.

3. Finja que seu pulso dói para gravar o áudio das entrevistas

Não importa o quão rápido você seja escrevendo: gravar o áudio das entrevistas sempre será mais eficiente. Além de que permite que você foque em anotar percepções suas ao invés de transcrever o que a pessoa disse. Porém pedir logo de cara para gravar a entrevista, mesmo só sendo aúdio e explicando que ele não será divulgado, é quase certeza de um não. Gravar sem o consentimento também pode dar problema caso a pessoa descubra no meio da entrevista e na raiva desista de continuar.

Então, como lidar? Simples: pegue o seu caderninho (sempre leve um) e comece a anotar o que a pessoa diz mas logo em seguida a interrompa dizendo que seu pulso está doendo (se você for capaz de atuar bem como minha amiga jornalista) ou que a entrevista seria mais rápida se você pudesse gravar o áudio com seu gravador/celular (o que é verdade). Desse modo quase sempre a pessoa vai concordar (na ocasião, todos concordaram!) e, mesmo que não concorde, é só continuar a anotar com o seu caderninho que já está em mãos.

4. Trabalhe em duplas

Sempre que possível, trabalhe em duplas. Nem mais, nem menos. Com duas pessoas vocês conseguem: dividir e se revezar nas tarefas de abordar, perguntar e anotar/gravar as respostas; ajudar caso um fique nervoso e esqueça qual era a próxima pergunta; entrevistar mais de uma pessoa ao mesmo tempo se necessário; e, claro, se sentir menos intimidado de abordar quem quer que seja (because you are not alone). E por que não mais que duas pessoas? Simplesmente porque vocês podem parecer uma gangue e intimidar as pessoas ao abordá-las.

5. Pause entre entrevistas

É natural que depois das primeiras entrevistas você comece a pegar o ritmo e a se empolgar, pulando de um entrevistado ao próximo. Porém, é importante sempre parar um pouco entre cada entrevista para poder, no mínimo, checar se você anotou tudo o que queria ou se a gravação funcionou. Não confie apenas na sua memória, por melhor que ela seja. Se algo ficou faltando, o melhor momento de anotar é logo após uma entrevista ter terminado. Além disso, as pausas permitem que você reflita um pouco sobre como têm sido as respostas e as suas perguntas até então. O que nos leva à última dica:

6. Improvise e revise seu questionário

É sempre importante que você tenha um questionário bem elaborado antes de começar as suas entrevistas. Porém, independentemente do quão bem estruturado ele esteja, as respostas dadas podem dar abertura a novas perguntas interessantes. Ou às vezes você pode perceber que a sequência de perguntas ou como algumas delas são feitas funcionam melhor de outro modo. Ou até mesmo perceber que uma pergunta poderia ser eliminada.

O ponto é: você tem que estar preparado para improvisar e modificar seu questionário não só entre como durante as entrevistas. O ideal é sempre começar com poucas perguntas, até porque, na rua, mesmo que parada, a pessoa em geral não irá dispor muito tempo para você. Caso a entrevista flua, insira novas perguntas e explore mais algumas respostas, como você o faria numa conversa normal. Mas não se esqueça depois de levar em consideração estas modificações na sequência, no modo e na quantidade de perguntas feitas na hora de analisar as respostas coletadas.

Author: Rodrigo Maués

Collect by: uxfree.com

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